PROTEJA O SEU PATRIMÔNIO E SUA FAMÍLIA

Todos os dias famílias e famílias são atingidas por uma "bomba" dentro de suas casas, sob a forma de violência urbana, de malversação de verbas públicas, de atividades do narcotráfico, do crime organizado, do terrorismo internacional, entre outras. Ainda sob a comoção dos acontecimentos de um destes eventos ocorridos na área da segurança pública em São Paulo, motivado pelo crime organizado, uma reflexão emerge e ao mesmo tempo inquieta a todas - o que fazer para preservar a minha família desses infortúnios? O que fazer para melhorar a segurança do meu patrimônio?
O impacto provocado pelas novas tecnologias nos últimos cinqüenta anos concorreu para a aproximação dos povos e estreitamento das culturas, novos hábitos e costumes surgiram e foram, paulatinamente, concorrendo para releituras particulares das políticas de segurança em um mundo que hoje é regido pela mudança.
Muito embora tentativas de implementação de uma postura uniforme por diversos meios, incentivada por alguns grupos da área de segurança de São Paulo, através de métodos e procedimentos que visavam dar o mesmo tratamento a diferentes criminosos, transformando-os em iguais em uma visão planificada do sistema carcerário, atual mola orientadora do crime organizado, tenham perdido terreno em virtude de posturas mais críticas e mais contundentes, que tipificaram o criminoso e lhe impuseram um tratamento individualizado, a população carcerária continua atuante e pressionando uma parcela significativa da sociedade, em mais uma tentativa de manter o status quo existente, deixando todos reféns do crime organizado.
Para sobreviver  nesse cenário, há necessidade, pois, de pessoas qualificadas e adaptadas a essa realidade, quer para fazer face a essa emergente dinâmica, quer para atuar nesse todo complexo, que se constrói e se reconstrói indefinidamente, na tentativa de eternizar a ideologia que o poder do crime organizado que preconiza.
Nesse ambiente árido e cada vez mais complexo que é a área de segurança, grande importância deve ser atribuída tanto à formação dos profissionais envolvidos com o problema, adaptando-os a um conhecimento que se transforma e se reorienta em ciclos cada vez menores (com todos os desdobramentos referentes no que se refere a salários, equipamentos, estrutura) como à orientação da população por eles assistida, pois, desta forma, se poderá conjugar os esforços da instituição pública, agindo na condição de agente operativa da política de segurança pretendida, com a sociedade que é a beneficiária destas ações.
Do contrário, a sociedade está condenada, ao menos no futuro imediato, e talvez por um bom tempo depois dele, a viver, se tanto, no que alguém chamou, talvez pensando nas tréguas, nas decisões de cessar as agressões e nas negociações empreendidas, de paz de baixa intensidade.
Considerando que, após a satisfação das necessidades básicas, a segurança é a próxima prioridade na hierarquia de necessidades de Maslov (1), é sempre oportuno discutir o assunto, com vistas tanto ao aperfeiçoamento dos profissionais públicos e privados envolvidos com esta temática como trazer para a discussão um problema que aflige, pela sua natureza, grande parte da população, pois a família e o imóvel particular na tradição brasileira são dois bens inatingíveis que incorporam muitas dimensões de significado para todos nós.
Vale sempre lembrar que somente por meio da informação e da formação de uma população crítica, que saiba cobrar dos governantes uma postura clara das definições das políticas de segurança adotadas, é que talvez conseguir-se-á transmitir às gerações subseqüentes um lar mais confortável para se viver bem, com segurança.
Se de um lado, as normas e as leis, e as conseqüências da aplicabilidade destas que concorrem para os conflitos urbanos, sejam atribuições previstas e administradas pelos políticos, colocadas em prática pelo poder executivo, por meio de policiais civis e militares, de outro, não se pode esquecer, que inegavelmente os resultados são sempre assimiladas pela população.
Sem querer esgotar o tema, pode-se dizer, grosso modo, que há duas razões básicas para que um crime aconteça - a vontade e a oportunidade. Em relação à primeira situação, nada se pode fazer; mas quanto a oportunidade, pode-se dificultar ou impedir que ela apareça, ou seja, favorável ao transgressor das normas, adotando-se medidas preventivas que envolvem conhecimentos, mecanismos e reflexos a serem utilizados no momento adequado.
Nos dias de hoje, um imóvel condominial precisa de uma segurança que zele pelo seu patrimônio humano e físico, assegurando a manutenção da ordem e da disciplina na área onde ele está situado por meio de medidas cuja finalidade principal devem estar centradas nos verbos fiscalizar, prevenir, orientar, reprimir e socorrer.
A prevenção patrimonial é um tema multidisciplinar e, neste sentido, todos os envolvidos no problema da segurança devem ser ouvidos e, mais do que isso devem participar dos encaminhamentos, a partir do conhecimento das essencialidades do próprio a ser protegido, pois cada edifício tem características próprias, devendo-se avaliar sempre o que é mais indicado para aquela determinada à comunidade condominial. Em um imóvel em condomínio, a segurança se traduzirá, por exemplo, pela união do síndico, dos moradores e de seus funcionários. Enfim, todos têm um papel decisivo no combate a essa modalidade de crime.
Existem um sem-número de detalhes simples que, se adotados pelos funcionários e incorporados pela comunidade condominial, dificultariam sobremaneira a atividade criminosa.
Pode-se listar, dentre tantas ações preventivas gerais as serem implementadas, a colocação do lixo ou a limpeza e varredura da calçada em horários alternados; a orientação para que os funcionários não conversem com estranhos, ou dêem informações sobre o imóvel ou os seus moradores; a proibição do uso do banheiro do condomínio por pessoas estranhas (incluindo mulheres grávidas e crianças); não permitir a entrada de policiais militares, policiais civis e demais policiais sem autorização do síndico e de posse do mandato judicial; não permitir a entrada de prestadores de serviço, uniformizados ou não, sem o acompanhamento devido; ter o cadastro checado de todos as empresas e funcionários que prestaram e/ou prestam serviços no condomínio, entre outras.
Nas portarias, recomenda-se o porteiro não sair do prédio; não deixar a portaria abandonada; durante a noite, manter-se no interior da portaria com pouca luz; ter sempre à mão os telefones úteis; se houver circuito interno de TV, prestar a atenção nos monitores; dominar os equipamentos sob sua responsabilidade,
Durante a noite, bem como nos finais de semana, quando o movimento de entrada e saída de pessoas aumenta, o cuidado dos encarregados pela segurança do condomínio deve ser maior. Da mesma forma esta atenção deve ser redobrada nos horários mais sensíveis ao apelo de uma transgressão criminosa.
- de 0600 às 0900 hs - quando os moradores saem para o trabalho ou para a escola;
- de 1100 às 1400 hs - chegada e saída de crianças e estudantes;
- de 1700 às 2000 hs - chegada e saída de estudantes e chegada do trabalho.

Importante também é a escolha de quem instalar esses equipamentos e ou orientar a aplicação das medidas de segurança adotadas pelo condomínio. Do mesmo modo, que são verificadas informações simples, deve-se ter o cuidado de  procurar empresa especializada e capacitada para realizar tal serviço.
Alguém disse que a historiografia de uma sociedade é contada pelos vencedores (ou será pelos sobreviventes?), assim os governantes não podem esquecer que no meio dessas políticas e dessas decisões, em alguns casos até extravagantes, estão homens, mulheres e crianças inocentes que pagam um alto tributo pela tranqüilidade de suas famílias, perdendo, em muitos casos, o seu direito constitucional de ir e vir.

Fontes:
                     
- BERGER, P. L. e LUCKMANN T. A construção social da realidade. 6ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.
- BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Joege Zahar, 1997.
- CALVINO, Ítalo. Seis Propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
- MICHEL J. M. e WAYMAN C. M. Crisis negociations: managing critical incidents and hostage situations in law enforcement. 2ª Ed. Cincinnati, OH: Anderson Publishing Co., 2001.
- SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. 2ª Ed. Porto: Afrontamento, 1993.
- SORJ, Bernardo. A nova sociedade brasileira. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
- STUART, Hall. A identidade cultural na pós-modernidade. 9ª Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
- Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.
-Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.